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Quarentena contra Covid-19 pode ser forte aliada também na prevenção à dengue

31 de março de 2026

Governo convoca população para atuar no combate ao Aedes aegytpi em casa. Só este ano, Estado registrou mais de 13,9 mil casos da doença

Em meio à pandemia do novo coronavírus, ressurge no Brasil outra preocupação: a dengue. Desde o começo do ano, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, Goiás já registrou 13.936 casos, com 21 mortes em investigação. E é justamente agora, entre os meses de março e abril, que ocorre o pico da doença.

O momento requer cuidado redobrado. Por isso, o Governo de Goiás convoca a população para ser protagonista no combate ao Aedes aegypti, agente transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Mesmo em face das inúmeras diferenças de contaminação, sintomas e tratamento, a dengue e a Covid-19 possuem semelhanças. A mais alarmante é que não existe vacina para evitá-las, por isso a importância de medidas de proteção. No caso da Covid-19, o distanciamento social impede que uma pessoa transmita a enfermidade para outra. Nesse sentido, a dengue não é contagiosa, mas pode ser evitada a partir da eliminação de possíveis criadouros do mosquito.

Coordenador de vigilância e controle ambiental de vetores da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), Marcello Rosa aponta que o período de quarentena em virtude do novo coronavírus é o momento ideal para também se prevenir da dengue. “Geralmente as pessoas diziam que não cuidavam do próprio imóvel por falta de tempo. Agora, considerando a quarentena, esse argumento cai por terra. É hora de agir e cuidar de casa, fazendo dela um ambiente seguro”, alerta.

Eliminar criadouros da dengue requer pouco tempo. Em apenas alguns minutos é possível acabar com os cantinhos favoritos do Aedes aegypti, que são aqueles onde há água parada. A dica da SES-GO é começar dentro de casa, verificando o recipiente de degelo da geladeira, que pode acumular água; vedando ralos e vasos sanitários de banheiros que não estão em uso; e lavando diariamente, com água sabão, os bebedouros dos animais de estimação.

No quintal, os cuidados envolvem verificar se a caixa d'água, fossas e cisternas estão totalmente vedadas; eliminar objetos que possam acumular água, como pratinhos de planta (neste caso, o ideal é cobrir de areia); manter as calhas limpas e, portanto, desobstruídas; e descartar o lixo para coleta da prefeitura, evitando aglomeração em casa ou em lotes baldios.

Outra semelhança entre a Covid-19 e a dengue é a eventual necessidade de assistência médica, com internações nos casos mais graves. Atualmente, o Governo de Goiás realiza uma série de ações preventivas com objetivo de garantir mais espaço nos hospitais para atendimento de pacientes diagnosticados com o novo coronavírus. É por isso, inclusive, que houve a antecipação da campanha de vacinação contra a influenza, outra doença bastante comum nesse período do ano.

“Há a possibilidade de coincidir o pico da dengue, da influenza e da Covid-19. Como parte desses pacientes precisa de hospitalização, isso reforça a importância de lutar contra a dengue. Combater o Aedes aegypti é um fator de proteção, considerando que vamos precisar de leitos hospitalares vazios”, explica Marcello. A pandemia do novo coronavírus já atingiu mais de 5,7 mil pessoas no Brasil e matou 201 até esta terça-feira (31/3), segundo o Ministério da Saúde. Em Goiás, são 65 casos confirmados e um óbito. Pelas estatísticas, a SES prevê que o pico da pandemia no Estado deva ocorrer no fim do mês de abril.

Visitas domiciliares
Analisando os dados como um todo, Goiás verificou redução de 36% dos casos de dengue entre janeiro e março deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019. Apesar disso, a superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, chama a atenção para algumas cidades consideradas de “alto risco” devido ao número de registro da doença. “Alguns desses municípios se concentram na região do Entorno do Distrito Federal e outros na região Sul e Sudoeste do Estado”, diz.

Mesmo em face das orientações de distanciamento social para evitar o novo coronavírus, os agentes de saúde continuarão fazendo as visitas domiciliares em Goiás com foco na dengue, especialmente nas regiões mais afetadas pela doença. A decisão foi tomada após reunião entre a SES-GO e o Conselho de Secretários Municipais (Cosems-GO). Essa atuação direta na comunidade é determinante para o combate à doença e, portanto, essencial para proteger e preservar vidas.

Entre 12 e 13 mil agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias atuam visitando domicílios em Goiás. Os trabalhos continuam, mas com algumas recomendações que visam proteger o profissional da saúde e os moradores. “As visitas serão menos invasivas, com orientações verbais mantendo a distância recomendada. Em alguns casos, se for preciso, o agente poderá entrar no quintal da casa, para auxiliar em algum procedimento”, explica Marcello.

Para garantir a segurança e evitar possíveis golpes, moradores podem identificar um agente de saúde a partir de seu uniforme, crachá de identificação ou solicitando o número de matrícula. Em caso de dúvidas, a orientação é que entre em contato com a Prefeitura de seu município para confirmar o cadastro junto à Saúde. As visitas geralmente ocorrem de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas.

Foto: Cristiano Borges
Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás