Família consegue na Justiça colocar sobrenome indígena nos documentos e comemora reconhecimento: 'Resistência'
Depois de dez anos lutando para ter mudança nos documentos, Maria Rosa, Mirna, Stefany e Bruno contam que, finalmente, sentem ter história respeitada. Índios moram em Goiânia.
Depois de dez anos de luta, a família Kambeba Omágua-Yetê Anaquiri comemora o reconhecimento do sobrenome indígena nos seus documentos pessoais, em Goiânia. A servidora pública Maria Rosa e os filhos Mirna, Stefany e Bruno definem essa conquista como um resgate da própria história e uma forma de resistência contra o preconceito.
“Ter nosso sobrenome indígena é ter espaço, é dizer que estamos aqui”, afirma Bruno.
A família contou que soube que tinha o direito de ter o nome indígena nos documentos ainda em 2009, pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Desde então, eles tentaram fazer as alterações em cartórios de Goiânia e próximos da aldeia de onde a família morava, no Amazonas, mas sem sucesso.
Os índios também entraram em contato com uma advogada, que os acompanhou até o cartório e, ainda assim, não conseguiram. Até que em 2017 eles procuraram a Defensoria Pública do Estado de Goiás e abriram um processo judicial para terem o direito reconhecido.
Cerca de um ano depois, no final de 2018, a Justiça autorizou a mudança no nome deles. Nesta sexta-feira (8), Maria Rosa, Stefany e Bruno finalmente buscaram as identidades com os nomes novos. Só Mirna ainda aguarda a emissão do documento.
Fonte: G1 Goiás