Chamamento de OSs para hospitais estadualizados em Goiás está em andamento, diz superintendente

Após o governador de Goiás Ronaldo Caiado ter sancionado nesta quinta-feira (16) a lei que estadualiza quatro hospitais municipais, que serão usados como unidades de campanha para atender pacientes do novo coronavírus, estimativa é que eles estejam em pleno funcionamento entre 15 e 30 dias, de acordo com o superintendente de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Sandro Rodrigues Batista. O gestor explicou ainda que está em andamento o processo de chamamento das Organizações Sociais (OSs) que vão gerir as unidades.

“Todo processo de chamamento para que as OSs assumam esses hospitais está sendo feito, de forma temporária, pois estão sendo organizados especificamente agora, nesse pontapé inicial, para enfrentamento da Covid-19”, explicou o superintendente.

Passam a ser geridos pelo Estado o Hospital Municipal de Formosa; o Hospital das Clínicas Dr Serafim de Carvalho, de Jataí; o Hospital Municipal de Luziânia; e o Hospital Municipal Geraldo Landó, de São Luís de Montes Belos.

“A previsão de funcionamento depende dos trâmites legais, prazos administrativos e legais que precisam ser organizados, mas esperamos que entre 15 e 20 dias já estejam funcionando. Até 30 dias, no máximo, dependendo de alguma questão jurídica, para que possam funcionar”, detalhou Sandro Rodrigues.

As quatro unidades possuem, ao todo, 292 leitos. Com isso, se concretizadas todas as previsões do Estado, nove municípios deverão ter hospitais voltados ao atendimento de pacientes do Covid-19: Goiânia, Anápolis, Águas Lindas, Porangatu (em convênio com a gestão municipal, que seguirá no comando) e Itumbiara são as outras cidades.

De acordo com o superintendente, a ideia é organizar estruturas em diferentes regiões do Estado, para descentralizar os atendimentos dos principais centros de atendimento, evitando problemas no sistema de saúde.

“Todo projeto e plano de governador e tudo que está sendo trabalhado na SES é na perspectiva de regionalização da atenção em saúde, que significa levar aendimento para população perto de onde moram, para evitar grandes deslocamentos aos grandes centros, que hoje contemplam e congregam grande parte das ações e atenções, que são Goiânia, Aparecida e Anápolis. É a perspectiva de regionalização da atenção hospitalar nessas regiões”, salientou.

Em funcionamento
Dos quatro hospitais, dois estão em funcionamento sob gestão municipal: São Luís de Montes Belos e Jataí. “Quando o estado assume, essas unidades hospitalares deixam de ser exclusivamente do município e passam a ter perspectiva regional, como todos outros hospitais do Estado”, explicou.

Secretário de Saúde de Luziânia, José Walter Marques encara a estadualização como positiva. “Para nossa região vai ser um alívio muito grande, pois é muito bem estruturado na parte física e falta ser bem equipado. Acredito que, em poucos dias, teremos o Hospital de Campanha em funcionamento, com leitos de UTI. O município não tinha condições de abrir (a unidade). Ficará, como legado, um hospital estadual em pleno funcionamento, um alívio muito grande para toda região do entorno Sul”, analisou o gestor, ressaltando que a unidade contava com boa parte de mobiliário, parte de lavanderia e esterilização completas, uma sala completa do centro cirúrgico e outras duas salas faltando poucos detalhes, além de já estarem revisando dois geradores de energia e contar com central de gases praticamente prontos.

O gestor lembrou que, devido ao novo coronavírus, a capacidade de leitos pode aumentar em relação que era projetado. “Em funcionamento normal, o projeto previa 72 leitos, mas devido a pandemia tem condições de chegar a 82 leitos, com ventiladores, monitores e leitos de alta complexidade para atender a demanda da região”, explicou.

O Hospital Municipal Geraldo Landó, em São Luís de Montes Belos, que conta com 50 leitos realiza, em média, 150 atendimentos por dia. A estadualização era um desejo do município e foi valorizada pela secretária de Saúde, Adriana Papel Dib.

“Estamos extremamente satisfeitos e felizes com o desfecho que está tomando a estadualização para que a Macroregião do Oeste 1 e 2, e Rio Vermelho possa ser assistida devidamente. Vai otimizar e descentralizar o atendimento. Os ajustes foram feitos e temos certeza que será um momento ímpar para nossa macroregião com essa consolidação. Com a mudança para gestão estadual, o objetivo maior, neste momento, é o direcionamento para Hospital de Campanha para a Covid-19”, frisou.

A secretária municipal não soube precisar como ficará a situação dos atuais funcionários da unidade. “Temos cerca de 116 funcionários. Como ainda está em fase de transição, entrando na segunda etapa, não posso passar precisamente como será (possível aproveitamento dos funcionários pelo Estado)”, informou Adriana.

Também em funcionamento, o Hospital das Clínicas de Jataí faz de 150 a 200 atendimentos diários, de acordo com a secretária municipal de saúde, que também considera interessante a estadualização. “É um momento complexo. Já tem uma estrutura muito grande, que só a verba municipal não consegue manter, pois gasta mais que o dobro do previsto todos os meses com o hospital. Acredito que será algo bem positivo, já que as conversas com o secretário (estadual de Saúde, Ismael Alexandrino) têm sido muito boas. Temos em torno de 400 funcionários. Os concursados serão mantidos ou remanejados. Já aqueles que são contratados ficam à cargo do Estado para saber se serão aproveitados”, explicou Luiz Carlos Bandeira Santos Júnior, secretário de Saúde de Jataí.

Ex-prefeito de Formosa e atual secretário de Estado do Governo (Segov), Ernesto Roller (MDB) participou das conversas para a estadualização do Hospital Municipal, que terá 60 leitos dedicados. “Desde o primeiro momento, da minha vindo para o governo, essa foi uma das solicitações que apresentei ao governador Ronaldo Caiado e, desde então, o processo tem avançado para que o Estado assuma e dê à Formosa e à região do entorno norte, um serviço de saúde pública que possa prestar bom atendimento à população, além de disponibilizar unidades de tratamento intensivo (UTI)”, afirmou.

“É algo extremamente positivo e vejo a região muito agradecida com essa nova realidade, que implica na melhoria da estrutura física e implantação de leitos de unidade (UTI). A prefeitura municipal, que não tem a menor condição de implementar novos serviços, já tomou as providências. Agora, esperamos que esteja em funcionamento no menor tempo possível, no prazo máximo de alguns dias”, projetou o secretário. A reportagem não conseguiu contato com o secretário de saúde de Formosa.

Fonte: O Popular